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IxD@web – 02.02b Uma abordagem centrada no utilizador: O que é a cognição

Segundo Jennifer Preece, et al. (2002), “cognition is what goes on in our heads when we carry out our everyday activities. It envolves cognitive processes, like thinking, remembering, learning, daydreaming, decision making, seeing, reading, writing and talking.”.

Don Norman (1993) distingue dois tipos de cognição. Cognição experimental e cognição reflexiva. Cognição experimental envolve o processo de percepcionar, agir e reagir a eventos que nos rodeiam de forma eficiente e fácil . Pelo facto de ser experimental, significa que o indivíduo experimenta algo e, através desse processo, vai desenvolvendo uma capacidade de lidar melhor com o objecto em causa, através deste tipo de cognição. O indivíduo aprende e vai-se especializando na realização da tarefa. Exemplos deste tipo de cognição são: conduzir um automóvel, ler um livro, ter uma conversa, e jogar um jogo. Cognição reflexiva passa por processos de reflexão. Envolve pensar, comparar e tomar decisões. Como exemplos temos: desenhar, aprender, escrever um livro. Don Norman defende que ambos os tipos de cognição são essenciais para o nosso dia-a-dia, mas que cada um destes tipos requer abordagens diferentes quando pensamos em desenvolver produtos, serviços ou ambientes, que impliquem a utilização destas tarefas.

Mais do que explorar o que é a cognição na sua essência, interessa aqui perceber os processos cognitivos que se dão na mente do indivíduo na realização de tarefas com determinados objectivos. Assim sendo, é importante perceber e explorar processos cognitivos como a atenção, a percepção e o reconhecimento, a memória, aprendizagem, ler, falar, ouvir, resolver um problema, planear, fazer julgamentos , tomar decisões.

Antes abordar cada um destes processos, é importante salientar a sua interdependência. Numa determinada actividade podem estar envolvidos vários processos cognitivos e, para uma melhor compreensão do indivíduo, importa perceber exactamente quais os processos que estão em causa. Um bom exemplo dado Jennifer Preece et al. (2002) é o acto de estudar e fazer um exame para uma determinada disciplina. Em primeiro lugar é necessário agrupar a informação para esse exame. Depois, é necessário perceber essa informação, reconhecê-la, ler, pensar sobre ela e relembrar o estudado. Temos assim uma série de processos cognitivos envolvidos no desempenho de determinada tarefa.

Todos os nossos actos envolvem processos cognitivos. De uma forma, ou de outra, todos eles são um resultado de uma actividade cerebral anterior. As implicações ao nível do Design são imensas quando construímos algo para ser utilizado por um, ou mais, indivíduos. Mais uma vez, perceber os mecanismos mentais do indivíduo ajuda a construir produtos que sejam úteis, usáveis e agradáveis. Este produto, sendo construído tendo em conta estes mecanismos, irá criar no utilizador uma série de reacções como familiaridade com o produto, com as tarefas em causa, sentido de exploração, questionamento, entre outras.

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