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IxD@web – 01.01b Sobre Interacção: As dimensões-chave daquilo que é interactivo

Um interessante estudo foi desenvolvido por Sally J. McMillan e Edward J. Downes intitulado Defining Interactivity: A Qualitative Identification of Key Dimensions“. Como o título indica, foi uma tentativa de definir Interactividade identificando dimensões-chave que dizem respeito aquilo que é, ou pode ser, interactivo.

Desta forma foram realizadas uma série de entrevistas a dois grupos de indivíduos. De um lado profissionais e académicos da área da comunicação interactiva, multimédia e hipermédia. Do outro um conjunto de utilizadores deste tipo de produtos. A ideia era, por um lado ter a perspectiva de quem trabalha a mensagem e por outro a perspectiva de que a utiliza.

Mais do que chegar a uma definição concreta sobre o que é a interactividade, este estudo chegou a importantes conclusões que nos ajudam a perceber a dimensão real da interactividade (em ambientes moderados por computador). O que é, o que a constitui e, principalmente, como é percepcionada.

Do lado de quem constrói a mensagem, chegaram a três importantes dimensões-chave. A primeira diz respeito à natureza e à direcção das mensagens. A segunda diz respeito à importância do tempo para a estrutura da mensagem e Feedback. Por último, a terceira diz respeito à criação de um sentido de pertença. Temos assim Direcção, Tempo e Espaço.

Do lado de quem utiliza o sistema (produto, serviço, ambiente) chegaram a outras três importantes dimensões-chave. O Controlo, a Resposta (Feedback) e a Percepção de Objectivos.

Do lado de quem constrói a mensagem, a dimensão da Direcção diz respeito à direcção em que a comunicação se dá no processo de interacção, no processo de troca de mensagens. Desta forma a comunicação pode-se dar num único sentido ou nos dois. Num produto, serviço ou ambiente interactivo, a interactividade aumenta quando a comunicação se dá nos dois sentidos. No entanto, não quer dizer que não exista interactividade num processo de comunicação com um único sentido.

A Dimensão do Tempo diz respeito à forma como este é tratado num produto, serviço, ambiente. Ou seja, a forma, como o tempo é trabalhado e manipulado em comparação com o Tempo real influencia a nossa percepção de interactividade. O Tempo é central quando o Tempo na interactividade é mais próximo do Tempo real (Real-Time). No entanto há quem ache que o Tempo não é assim tão central. Existe interactividade numa troca de emails e o desfasamento entre o tempo neste processo de interacção e o tempo real pode ser bastante grande. Mas também existe interactividade numa conversa entre duas pessoas utilizando um determinado programa de chat. Uns poderão afirmar que a sensação que temos de que estamos em processo de interacção é mais evidente no chat do que na troca de emails. No entanto é errado dizer que algo que não tem um desenrolar temporal semelhante ao Tempo real não é interactivo, ou não proporciona uma experiência interactiva.

Independentemente da perspectiva, a conclusão a que se chega no estudo efectuado é que o Tempo de Comunicação deverá ser flexível para ir de encontro com o Tempo do utilizador. Assim, é o tempo do utilizador que deve determinar o tempo da comunicação.

A Dimensão do Espaço está ligado ao próprio ambiente da Comunicação. O utilizador pode ter, ou não, um sentimento de pertença para com este espaço. A interactividade aumenta quando o utilizador se sente mais familiarizado e integrado com o espaço onde se desenrola todo o processo (pense-se nos ambientes altamente imersivos).

Do lado de quem utiliza, a dimensão do Controlo é extremamente importante. Quem utiliza um produto, serviço ou ambiente terá uma sensação de maior interactividade consoante o controlo que tem sobre o artefacto. Assim sendo, a interactividade aumenta quando o utilizador percebe que tem um maior controlo sobre o ambiente de comunicação.

A dimensão da Resposta diz respeito à relação entre as mensagens, a Acção/Reacção. O utilizador acha/sente que a comunicação é nos dois sentidos.

Por último, a dimensão da percepção dos objectivos prende-se com os objectivos do próprio produto, serviço ou ambiente e a forma como estes são percepcionados pelo utilizador. Comunicar pode ser feito de várias formas com vários objectivos. No entanto, entre eles, existem duas importantes categorias: informar e/ou persuadir. A conclusão a que se chega neste estudo é que a interactividade aumenta quando o indivíduo percepciona que o objectivo da comunicação é mais orientado para a troca de informação do que para a persuasão.

Analisando estas conclusões percebe-se que interactividade implica a existência de determinados factores. A Direcção da mensagem, o feedback e tempo de feedback, o sentido de pertença, o Controlo e o Objectivo percepcionado. Todas estas dimensões são importantes quando se pretende construir ou analisar qualquer produto, serviço ou ambiente no que diz respeito ao seu grau de interactividade.

Próximo artigo: IxD@web – 01.01c Nathan Shedroff e Interactividade

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