Designer: Mediador ou Autor?
Torna-se bastante enigmático pensar a questão da autoria quando esta é vista à luz de um conceito apresentado por Julia Kristeva intitulado “intertextualidade”. De uma forma bastante simples, Julia Kristeva diz-nos que nada nasce do nada porque tudo aquilo que fazemos esté carregado de influências de outros. Ou seja, construir é quase como um puzzle (consciente ou inconsciente) em que as peças são coisas ou fragmentos de coisas captadas no nosso quotidiano.
Não saberiamos representar “X” se nunca tivessemos visto um “X”. E depois de vermos vários “X”s representados de diversas maneiras começamos um processo de filtragem em que só deixamos passar o que nos interessa. Quando representar um “X”, este estará carregado não só da cultura colectiva sobre como representar “X”, mas também da minha cultura individual sobre a representação do “X”.
Onde quero chegar é que um autor, no sentido de criador, no sentido de alguém que inova, não existe. No entanto, autor no sentido de alguém compõe, no sentido de alguém que recria fazendo uma abordagem pessoal e única, existe sempre e deveria ser sempre reconhecido pela sua expressão.
Em termos de Design, o Designer é sem dúvida um mediador, no sentido em que o processo de Design é um processo de negociação entre cliente, Designer e público-alvo. Ao mesmo tempo, o resultado final deste processo de negociação é um produto, serviço, ou ambiente, criado (materializado?) por uma pessoa específica. Esta pessoa é o autor deste produto, serviço ou ambiente.
“A text is… a multidimensional space in which a variety of writings, none of them original, blend and clash. The text is a tissue of quotations… The writer can only imitate a gesture that is always anterior, never original. His only power is to mix writings, to counter the ones with the others, in such a way as never to rest on any one of them.” Roland Barthes
Este texto foi publicado como comentários ao post Stuart Bailey: Reutilização e Autoria no Ressabiator






